Nenhuma pregação na história humana apresenta desafios maiores ou
ensinamentos mais ricos do que o Sermão do Monte. Esta mensagem
revolucionária ocupa três capítulos do relato que Mateus escreveu sobre a
vida de Jesus. Apenas duas vezes nestes três capítulos aparece a
palavra que quero destacar neste artigo. No grego, o idioma do Novo
Testamento, a palavra prosecho significa “literalmente, ‘manter-se,
guardar-se’... , por conseguinte, ‘voltar a mente ou a atenção a uma
coisa estando em guarda contra ela’” (Dicionário Vine, 367). Na versão
ARA2 da Bíblia, a palavra é traduzida “guardai-vos” em Mateus 6:1 e
“acautelai-vos” em Mateus 7:15.
“Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em
ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores” (Mateus 7:15). Com estas
palavras, Jesus inicia um parágrafo no qual ele alerta sobre o perigo de
falsos mestres e explica como discernir entre estes lobos vorazes e os
bons mestres que ensinam somente a verdade revelada pelo Senhor. É uma
distinção importantíssima para conseguirmos navegar o mar tempestuoso da
confusão religiosa. Enquanto os incautos podem aceitar como igualmente
bons e válidos os conflitantes ensinamentos do mundo atual, Jesus
claramente avisa que muitos que parecem sinceros são lobos ferozes
esperando a oportunidade para massacrar ovelhas indefesas. Para não
sermos enganados, é necessária a vigilância constante. Temos de ser
pessoas criteriosas que examinam qualquer ensinamento pelo único padrão
confiável, como fizeram os residentes de Bereia quando o apostolo Paulo
ensinou sobre Jesus: “... receberam a palavra com toda a avidez,
examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de
fato, assim” (Atos 17:11. Devemos estar atentos e nos guardar
constantemente contra os perigos de enganadores que distorcem a palavra
de Deus. Esta ameaça vem de fora e pode nos destruir.
No outro versículo neste sermão que contém a mesma palavra, Jesus disse:
“Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de
serdes vistos por eles; doutra sorte, não tereis galardão junto de
vosso Pai celeste” (Mateus 6:1). Com a mesma intensidade que nos
defendemos contra os ataques dos falsos mestres, precisamos nos proteger
de nós mesmos! Neste trecho, Jesus dedica um capítulo inteiro aos
perigos de atitudes e perspectivas erradas em nossas próprias vidas.
Aqui, o perigo vem das nossas próprias tendências de buscar a aprovação
dos outros, de sentir contentes com nossos próprios esforços e de
satisfazer nossos desejos de adquirir coisas nesta vida. Para enxergar
este inimigo, não precisamos de uma sentinela com binóculos olhando para
longe, precisamos de um espelho para ver a fonte de uma outra ameaça.
O contraste entre estes dois versículos ajuda a ilustrar uma necessidade
fundamental na vida cristã. É importantíssimo manter equilíbrio, até no
nosso estudo das Escrituras. É natural e necessário perceber as
distorções e abusos no meio religioso. É normal sentir frustrado e até
revoltado com hipócritas e mentirosos em posições de influência
espiritual. Devemos nos guardar contra estas influências destruidoras.
Mas apontar os dedos para mostrar os erros dos outros, ou até lamentar
as nossas próprias falhas do passado em seguir tais enganadores, não é o
suficiente. É necessário travar uma outra batalha contra nossas
próprias atitudes egocêntricas. O desejo de ser honrado, o desejo de ser
rico e até o desejo de sentir independente (nem precisando de Deus) são
ameaças sérias que precisam ser identificadas e vencidas.
Se seu estudo da Bíblia consiste principalmente em examinar e esclarecer assuntos polêmicos, precisa mudar a sua abordagem. Enquanto há lugar para estes estudos, há também necessidade de estudos que tratam do procedimento e caráter de um verdadeiro discípulo de Cristo. O Sermão do Monte é um bom começo, pois o mais que refletimos sobre estas orientações do Rei, o mais que teremos condições de sermos cidadãos do seu reino celestial e eterno.
Se seu estudo da Bíblia consiste principalmente em examinar e esclarecer assuntos polêmicos, precisa mudar a sua abordagem. Enquanto há lugar para estes estudos, há também necessidade de estudos que tratam do procedimento e caráter de um verdadeiro discípulo de Cristo. O Sermão do Monte é um bom começo, pois o mais que refletimos sobre estas orientações do Rei, o mais que teremos condições de sermos cidadãos do seu reino celestial e eterno.