INTRODUÇÃO
O que significa ser igreja? Essa pergunta deveria ser feita por toda
agremiação que se diz cristã. Nem todas as igrejas que se dizem cristãs
podem ser consideradas como tais de acordo com o parâmetro bíblico. Há
quem defenda a prosperidade financeira como o critério de uma igreja
verdadeira e abençoada por Deus. Na aula de hoje estudaremos a esse
respeito, ressaltando que, uma igreja próspera é aquela que se pauta em
conformidade com a Bíblia, a Palavra de Deus.
1. A VERDADEIRA IGREJA
A igreja – ekklesia em grego – é uma assembleia edificada por Jesus (Mt.
16.18), é um corpo que tem Cristo como cabeça (I Co. 12.17; Cl. 1.18),
chamada para estar fora dos valores do mundo (Rm. 12.2) e composta por
pessoas de todas as etnias e línguas (Cl. 3.11; Ap. 7.9). Os que estão
em Cristo é uma nova criação (II Co. 5.17), participante de uma natureza
divina (II Pe. 1.4), revestida do amor, o elo perfeito (Cl. 3.12-14)
com o propósito de manifestar as grandezas daquele que a chamou das
trevas para a Sua maravilhosa luz (I Pe. 2.9). A igreja de Cristo é
peregrina no mundo (Ef. 2.14-18), é cidadã dos céus, espera ansiosamente
a Jesus Cristo (Fp. 3.20), por isso, não ama o mundo, já que está
alicerçada no amor do Pai (I Jo. 2.15-17). Uma das marcas da igreja
verdadeira é a comunhão – koinonia em grego – expressão exemplificada
pela igreja de Jerusalém (At. 2.42), fundamentada no relacionamento
comum em Cristo (I Co. 1.9). Essa koinonia inclui partilha tanto
material quanto sacrificial (II Co. 8.1-5), sobretudo, sensibilidade
para as necessidades dos domésticos da fé (Gl. 6.10). A unidade também é
uma das características centrais da verdadeira igreja. A tendência
humana, em razão do pecado, é criar facções, mas o desejo de Cristo é o
de que todos sejam um (Jo. 17.11), que todos estejam unidos em um só
pensamento e parecer (I Co. 1.10), ainda que na diversidade de dons e
ministérios (I Co. 12-14; Rm. 12; Ef. 4; I Pe. 4.10). A divisão na
igreja é problemática porque significa dividir a Cristo (I Co. 1.13), é
uma demonstração de que seus membros não compreenderam as implicações do
ministério (I Co. 3.5-20). A igreja é uma família, sendo Cristo o
Primogênito entre muitos irmãos (Rm. 8.29), uma noiva que busca a pureza
para o Seu amado (I Co. 11.2; Ap. 19.7), feita santa e inculpável (EF.
5.26,27).
2. A MISSÃO DA IGREJA VERDADEIRA
Ao contrário do que argumentam os adeptos da Teologia da Prosperidade, a
missão precípua da igreja verdadeira é o crescimento espiritual,
atingindo a plenitude de Cristo (Ef. 4.13). Para tanto ela deva se
pautar pelo evangelho, a Palavra de Deus, que é o leite espiritual puro
que conduz ao crescimento (I Pe. 2.2), que ilumina o caminho e guarda
contra a tentação (Sl. 119.105) e purifica do pecado (Ef. 5.26),
portanto, deva ser encorajada à santidade, à abstenção da imoralidade (I
Ts. 4.4-8). A verdadeira igreja está em movimento, ela segue fazendo
discípulos de todas as nações (Mt. 28.19), sendo testemunha fiel de
Cristo, no poder do Espírito Santo (At. 1.8). Como corpo de Cristo, a
igreja encarna-O (Cl. 1.15-20; 2.9), atuando em amor, não se deixando
moldar aos padrões do mundo (Rm. 12.1). Sendo assim, a agenda da igreja
não pode ser a do mundo, tendo em vista que sobre este impera Satanás
(Ef. 6.10-18). A agenda da igreja não pode se alicerçar apenas em
aspectos morais, denunciando o pecado, precisa também fazer o bem (At.
10.38), lembrando que Deus é Pai das misericórdias e Deus de toda
consolação (II Co. 1.3-5). Talvez a igreja não seja capaz de modificar
as estruturas sociais, mas poderá alterá-lo, agindo como sal da terra e
luz do mundo (Mt. 5.13-16). Essa deva obedecer às autoridades (Rm.
13.1-13) e interceder por elas para que viva uma vida tranquila e mansa,
com toda piedade e respeito (I Tm. 2.1-4), mas, em alguns casos, se
fará necessário que a igreja resista a sistemas injustos (At. 4.19),
isso quando Cesar ultrapassar seus limites (Mt. 22.21). Como
consequência sobrevirá sobre ela a perseguição, que a conduzirá à
bem-aventurança (Mt. 6.10) e ao sofrimento por amor a Cristo (II Tm.
3.12; I Co. 12.26; Hb. 13.3).
3. PROSPERIDADE VERDADEIRA DA IGREJA
Uma igreja verdadeiramente próspera é semelhante à igreja de Filadelfia,
para qual o Senhor Jesus lhe dirigiu uma carta (Ap. 3.7-13). Ela sabe
que Cristo conhece as suas obras, pois não nega o Seu nome através das
ações (Ap. 3.8). Mesmo se encontrando ao redor de uma sinagoga de
Satanás, não se deixa contaminar pelos benefícios mundanos (Ap. 2.9;
3.9), antes permanecer fieis à palavra, perseverante na doutrina, por
isso será guardada na hora da provação (Ap. 3.10). Satanás é o
enganador, e tem ludibriado muitas igrejas com suas propostas mundanas,
resistidas por Cristo no monte da tentação (Mt. 4.1-11). Quando o Senhor
vier arrebatar a Sua igreja, muitas daquelas agremiações religiosas que
se dizem cristãs, mas que não se alicerçam na Palavra, antes seguem os
anseios do mundo, ficarão para trás (II Ts. 2.9-12) A igreja verdadeira,
entretanto, será levada para estar com Cristo, retirada do mundo por
Deus antes da Tribulação (Jo. 14.1-3; I Ts. 4.13-18; I Co. 15.50-57). As
“igrejas” da Teologia da Ganância já receberam seus galardões, tendo em
vista que investem apenas no reino temporal. Mas a igreja
verdadeiramente próspera colherá seus frutos na eternidade (Ap. 3.12).
As “igrejas” pseudopentecostais se assemelham à igreja de Laodiceia, que
também recebeu uma carta de Cristo (Ap. 3.14-22). As obras dessa igreja
são conhecidas, pois nem são frias nem quentes, sem caráter ou
identidade cristã, por isso será vomitada da boca do Senhor (Ap.
3.15,16). Instalada em uma cidade financeiramente próspera, a igreja de
Laodicéia dispunha de uma medicina considerada avançada para a época, e
da manufatura de roupas de lã, mesmo assim, Jesus a ela se dirige como
pobre, cega, miserável e nua. Aconselha que essa compre, dEle, ouro
refinado no fogo, roupas brancas para cobrir as vergonhas, e colírio
para ungir os olhos e poder enxergar (Ap. 3.15-17).
CONCLUSÃO
Uma igreja verdadeiramente próspera não é aquela que tem uma arquitetura
arrojada, instalações modernas, cadeiras confortáveis, sistema de
condicionamento de ar. Uma igreja verdadeiramente próspera não é aquela
que tem um patrimônio vultoso, que chama a atenção dos políticos pela
sua imponência. Uma igreja verdadeiramente próspera é aquela que ama ao
Senhor, que se pauta pela Sua Palavra, que O ama e que demonstra esse
amor através da comunhão entre os irmãos. Uma igreja verdadeiramente
próspera não prioriza as bênçãos terrenas, que o ladrão rouba e a traça
corrói, mas as riquezas celestiais em Cristo Jesus, o qual se
manifestará, ao Seu tempo, para dar o Seu galardão conforme lhe apraz.